REGRESSO AO RESPEITO
Como pode desprender-se silêncio de uma obra têxtil? Também não sei como se faz, mas sei como me sinto olhando as peças da artista plástica de design têxtil, Ana Gonçalves. O culto do pequeno, do delicado e do natural. Isto forma o requinte. Uma das peças é como um abecedário da linguagem dela. Ou código do segredo. Há também as que se parecem com um instrumento musical. Outras não são sequer trabalhadas no tear, mas modeladas com as mãos e associadas a materiais naturais, como pauzinhos, como os que a criança mais pequenina da nossa família junta e traz para casa. Dantes, os adultos deitavam para o lixo os objectos da natureza que as crianças traziam para dentro, mas hoje, o olhar artístico de criadores como a Ana, embora não sejam muitos, ajudou-me a olhar essas composições e fotografá-las ou mantê-las enquanto é razoável o seu estado de conservação. Respeito. Foi com o mesmo respeito que olhei as obras construídas pela Ana, umas tecidas outras não, mas todas acariciadas e oferecen...




